É praticamente impossível deixar de comparar o trabalho do diretor Sam Raimi na primeira trilogia baseada nas histórias do Homem-Aranha nos cinemas com o de Marc Webb, com o recente (pra alguns até mesmo precipitado) reboot. Por isso, decidimos fazer isso sem medo, agora, depois do final de semana de estréia do novo filme nos cinemas. Sim, isso significa que vai ter spoiler pra caramba, então, esteja avisado que continuar a ler a partir daqui é por sua própria conta e risco.

E, mais uma coisinha, o comparativo será entre os primeiros filmes. Como já temos garantido uma nova trilogia, deixaremos para comparar os próximos filmes conforme as sequências sejam lançadas.

SAM RAIMI

O cara é o típico nerd e demonstrou isso durante toda a sua vida como diretor de cinema, já que a maioria das suas produções eram voltadas para o terror fantástico. “The Evil Dead”, ou “A Morte do Demônio” aqui no Brasil foi a série de filme que consagrou o trabalho dele mundialmente e, junto com seu fanatismo declarado pelo Homem-Aranha, rendeu também a oportunidade de comandar a produção da primeira trilogia do aracnídeo nas telonas.

O QUE ELE FEZ CERTO?

Diferentemente do que o primeiro diretor cogitado para o projeto, James Cameron, Sam Raimi foi FIEL ao extremo quanto à essência e origem do personagem nos quadrinhos, para o primeiro filme. Claro, ele teve que eliminar algumas coisas que incomodaram muitos fãs, como a Mary Jane (Kirsten Dunst) como paixão de infância do Peter (Tobey Maguire). Coisa que ele NUNCA teve, além de uma quedinha pela Liz Allen, colega popular da escola por quem nutria aquela típica “paixão” de adolescente retraído. Ele só vai conhecer a ruiva mesmo na formatura do colégio e apesar de sentir uma atração danada por ela, não foi paixão à primeira vista. Isso só aconteceu mesmo na faculdade, com a loira e meiga Gwen Stacy.

Até mesmo a amizade com Harry Osborn (James Franco) só acontece na faculdade. Mas isso não tem importância, já que é impossível retratar 40 anos (na época) de histórias em 2h30 de filme. Sam Raimi fez a adaptação de forma magistral, com a caracterização da MAIORIA dos personagens perfeita. Desde o Tio Ben (Cliff Robertson), até J. Jonah Jameson (J.K. Simmons)… ou melhor, até o Robbie (Bill Nunn) ficou excelente, com toda aquela desconfiança e discrição sobre fazer uma ideia de como o jovem Parker conseguia fotos tão boas do Aranha. A Tia May (Rosemary Harris) também ficou excelente na pele da mentora do jovem herói. E o Peter Parker/Homem-Aranha… interpretado por Maguire… Bom…

O QUE ELE FEZ ERRADO…

Sim, corro o risco de sofrer uma morte lenta e muito dolorosa das mãos dos fãs do primeiro filme. Inclusive, se procurarem outros textos meus da época, vão me achar contraditório. O problema é que na época a gente não tinha referência e a empolgação de finalmente ter um filme do Aranha de qualidade nos cinemas era tanta que acabou nos cegando para alguns detalhes… Detalhes que não eram apenas detalhes. Que ao serem vistos diversas vezes, incomodam. E tudo começa com o Peter Parker de Tobey Maguire, cujo problema não é só dele, já que ator é do tipo limitado, porém, do tipo também que depende de um bom diretor para desempenhar um papel melhor.

Era essa a grande responsabilidade do fã de quadrinhos e, principalmente, do Aranha, Sam Raimi, na produção do filme. Já que Tobey, declaradamente, disse não ter se preocupado em ler as HQs do personagem para criar a sua versão do Peter Parker, já que confiava na direção de Raimi, cabia a esse dizer que apesar de um adolescente nerd e introvertido, Peter NÃO ERA UM PASPALHO. Ele era deslocado, agredido pelos bullies da escola, porém, não tinha cara de bobo 24hs por dia, 7 dias por semana. Ele só não tinha confiança suficiente para enfrentar as mulas adolescentes da Escola Midtown High. Mas quando ele ganha seus poderes, devido à picada de uma Aranha radioativa, aos poucos, vai ganhando MUITA confiança.

Imagine um Sheldon, porém, sem a petulância e a prepotência. Era assim o Peter após se tornar também o Homem-Aranha. Afinal de contas, ele enfrentava diariamente super-vilões, o que certamente muda a maneira como qualquer um enfrenta o dia-a-dia da vida. Ele podia continuar aturando as aporrinhações do Sr. Flash Tompson (totalmente desprezado pelo diretor Sam Raimi depois da cena dele apanhando do Peter no corredor da escola, em TODOS os filmes), mas fazia isso para proteger a identidade. Porém, nem sempre dava certo, afinal, nervos à flor da pele são fraquezas humanas. E o HOMEM-Aranha tem o alter-ego mais humano de todos os personagens dos quadrinhos de super-heróis.

Faltou a Raimi deixar um pouco o foco do romance entre Peter e Mary Jane (personagem inútil, que nos filmes só serviu pra procurar marido e empacar a vida já tumultuada do herói) e desenvolver esses outros aspectos.

Coisa que o diretor Marc Webb fez muito bom…

MARC WEBB

Quem diria que o responsável por “500 dias com ela”, e não declaradamente fã de quadrinhos ou do Aranha, pudesse superar outro com essas características no que diz respeito a tornar o personagem mais tridimensional, com problemas que não ficam além da procura pelo amor da paixão de infância, mas da alto afirmação?

O QUE ELE FEZ CERTO…

Ele LEU e ENTENDEU a história do personagem que pegou pra dirigir nos cinemas e, primeiro de tudo, criou uma história PARA AS TELONAS e não apenas uma adaptação daquilo que todos nós já conhecemos. Deu pra perceber que cada personagem foi desenvolvido individualmente: o Tio Ben (Martin Sheen) não estava lá só pra morrer e dizer a famosa frase para o sobrinho, ele de fato marcou presença como pai de Peter, dando bronca e até mesmo o fazendo passar vergonha entre os colegas; na verdade, passar vergonha com a Gwen Stacy (Emma Stone), a paixão de infância da vez de Peter Parker, mas que exerce um papel muito mais importante do que isso na vida do herói no filme.

Em “O Espetacular Homem-Aranha” não temos uma divisão entre os momentos em que Peter é Parker e naqueles em que se transforma no Homem-Aranha. O diretor soube transmitir a ideia de que se tratam da mesma pessoa. Pessoa… herói… que vai ter de crescer e amadurecer para não se tornar o problema que irá combater no futuro. Mas ele soube também dar importância para o arquétipo do herói, da fantasia, da utilização dos poderes e da caracterização do personagem em ação idêntica aos quadrinhos. Tirando…

ALGUMAS FALHAS…

… como a pressa de Webb de chegar em alguns pontos da história. O filme só não fica confuso em algumas partes para os fãs e também graças aos primeiros filmes, que já ambietaram os fãs recentes com a história dos personagens. As pontas soltas deixadas para as próximas sequências atrapalham a fluidez da história. O final mesmo parece que foi elaborado naquele momento em que a equipe lembrou que precisavam entregar o material pra pós produção: “Vixe, termina ae… ou não vai dar tempo!”.

Há momentos também em que o diretor simplesmente parece se esquecer do que após a picada, Peter já não é uma pessoa comum, ele já não age de forma unidimensional da maioria. Ele escala paredes, salta distâncias enormes e tem super-força. Apesar desse último aspecto ter sido bem explorado, até mesmo em cenas dispensáveis (como a em que ele entorta uma aste do gol do campo de futebol americano da escola), alguns foram esquecidos. Há momentos em que Peter está no esgoto, andando no chão como uma pessoa comum. Fãs se lembram de que, quando fantasiado, Peter raramente fica no chão. Ele atende telefone, faz anotações ou coisas triviais caminhando no teto… escalando paredes. No final mesmo, apenas para dar uma dramatizada e mostrar a bondade do “vilão” do filme, parece que o herói esquece de que pode grudar nas paredes e depende totalmente da ajuda do Dr. Connors para conseguir subir no parapeito do prédio da Oscorp.

Mas isso são falhas que vão incomodar nós, fãs mais chatos. Porém, que não atrapalham o mais importante que o filme conseguiu: dar aos personagens importância igual na trama. Webb conseguiu levar um Peter Parker inseguro, porém, não limitado a fazer beiço de coitado para cada frustração amorosa que recebia. No entanto… vamos deixar pra falar dos personagens nos próximos textos.

E aí, o que acharam? Qual filme vocês preferem? Ou será que uma parceria entre Sam Raimi e Webb para os próximos filmes seria uma boa? Comentem.

 

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