Presto Gaudio On abril - 9 - 2013

Homem-Aranha – A Morte de Jean Dewolff

No mês de março parece que a editora Panini resolveu correr atrás do aniversário de 50 anos do nosso Amigão da Vizinhança. Com a primeira aparição em meados de 1962, o Homem-Aranha fez 50 anos em 2012, mas como acharam uma melhor idéia comemorar os 51 anos do teioso, eis que a editora Panini preparou diversos lançamentos para este ano de 2013, a começar pela clássica aventura “A Morte de Jean DeWolff”.

Essa republicação reúne as clássicas histórias do Homem-Aranha e seu uniforme negro que ocorreram em meados dos anos de 1980. Antes de começar a ler, temos que ter claro em nossa mente o clima pesado das aventuras da época que, de certa maneira, refletia o clima pesado da época: crise econômica além do medo ainda presente de uma guerra nuclear. É só lembrar também que tivemos nesta década histórias mais pesadas como Watchmen, Cavaleiro das Trevas e A Queda de Murdock. Em resumo, pode-se dizer que eram tempos mais pessimistas e sombrios. A partir desta breve contextualização vamos á história.

Este encadernado reúne as edições Spectacular Spider-Man 107-110 (Outubro de 1985 – Janeiro de 1986) e Spectacular Spider-Man 134-136 (Janeiro de 1988 – Março de 1988). São duas histórias, na primeira temos um vigilante chamado Devorador de Pecados que munido de um senso de justiça próprio e sempre armado com uma espingarda caça pessoas que ele julga ter alguma responsabilidade pelas mazelas sociais de Nova York. Sua primeira vítima  é a capitã da polícia, e amiga do escalador de paredes, Jean DeWolff. A partir de então vemos Peter firmar uma parceria com o sargento Stan Carter reunindo pistas para capturar o assassino. A segunda história, publicada dois anos depois, mas cronologicamente cerca de um ano após os acontecimentos da caçada ao Devorador de Pecados, temos uma conclusão para o vilão.

É o primeiro grande trabalho de Peter David, e este apresenta uma história sombria e complexa que deixou marcas no personagem que são sentidas ainda hoje. Foi muito elogiado na época por apresentar um novo vigilante que provoca uma ira descontrolada no Homem-Aranha e quase o leva a ações mais drásticas. Sua narrativa mais adulta em relação às histórias mais costumeiras do personagem explora as nuances da moral do herói.

É interessante que Peter está muito mais brutal que de costume. A morte da capitã de policia provoca a insanidade a tal ponto que o Aranha chega a abandonar o Demolidor a própria sorte quando este tenta impedir que a população revoltada linchasse o vilão recém preso. Desta forma, vemos em Matt Murdock (com participação especial, mas crucial na história) atuar de forma a contrapor às decisões de Peter: é um debate interessante sobre a justiça, vigilantismo, o direito à inocência e como o Estado lida com isso. Tudo isso agitado pelo contexto de agitação civil, tensões raciais e desconfiança da polícia.

A arte de Rich Buckler é fantástica, realista, corajosa e firme. Os eventos chocantes e sangrentos são mostrados sem pudor. A segunda história não fica atrás na qualidade gráfica, embora os desenhos de Sal Buscema sejam ligeiramente menos detalhados em relação aos de Buckler. No entanto, em relação à narrativa gráfica é quase imperceptível a diferença, se não fosse revelado a distancia cronológica dos eventos, podia-se muito bem se admitir uma continuidade quase imediata.

Vale destacar ainda a abordagem muito humanizada de J.J.Jameson, com seu espanto ao saber dos acontecimentos recentes em relação ao Devorador de Pecados. A humanização também de Peter, como já mencionado acima. A presença marcante e crucial de Mary Jane na vida do Escalador de Paredes, na época da segunda história eles eram recém casados. E por fim, a relação do Homem-Aranha e o Demolidor que, a partir desta história em que ambos tem suas identidades reveladas, passam a desenvolver uma importante amizade que, assim como o assassinato de Jean DeWolff, até hoje é referenciada.

Há muito ainda a ser dito desta maravilhosa história, mas acredito que meu papel aqui acabou. Cabe agora a você leitor pegar essa história e devorá-la. No Brasil as histórias foram publicadas em Homem-Aranha 87, 88 e 102 em formatinho da editora Abril e, como anunciado no inicio desta matéria, pela editora Panini em um encadernado de 172 páginas, capa cartão, papel miolo LWC, por R$ 21,90. O que está esperando?

 

Sobre o Autor

Colecionador de quadrinhos desde A Morte do Super-Homem (antigamente, era assim que se escrevia). Já o Homem Aranha foi a fatídica saga do Clone que, podem me criticar, eu gostei, embora tenha acabado muito ruim e terem exterminado qualquer consequência. Historiador de formação que ainda sonha em ser arqueólogo.

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