Presto Gaudio On julho - 26 - 2013

Homem-Aranha 139

Bem vindos a mais um review da revista mensal do Homem-Aranha, neste mês de julho a Panini nos trouxe outra edição com 148 páginas. Há prós e contras, todos sabem como as histórias do aracnídeo estão atrasadas em relação ao resto do universo Marvel e esse avanço não é só bem vindo como desejado pelos fãs. No entanto, parece que a Panini está dando passos maiores que as pernas, pois os atrasos vêm se tornando cada vez mais comuns. E não apenas isso, parece que o revisor tirou férias e erros de português e concordância saltam da revista, tornando a leitura por vezes truncada.

Neste mês temos o final da saga Confins da Terra que foi publicado originalmente nas edições Amazing Spider-Man 685, 686 e 687, e mais um emocionante epílogo que funciona como tributo a um conhecido personagem que foi publicado em Avenging Spider-Man número oito. Ok, paguei minha língua, embora Avenging continue sendo algo não extremamente essencial, esta história foi bem interessante e coube perfeitamente na mensal. Fechando a revista temos também o início do arco do Lagarto que foi publicado em Amazing Spider-Man 688, 689 e 690.

O final da saga do “fim do mundo” foi interessante, mas acredito que tenha se arrastado por edições de mais. Na realidade um problema que também ocorre na história seguinte do Lagarto, parece que o Dan Slott estava preparando um plano mirabolante para alguma edição futura, mas tinha que enrolar as histórias até chegar na emblemática Amazing Spider-Man 700. Outro problema que pode ter acontecido, é o autor estar se cansando de preparar os roteiros para uma revista quinzenal, haja fôlego, visto que ele vem escrevendo este título desde Amazing Spider-Man 546 de fevereiro de 2008. Foi o fatídico “Brand New Day” onde foi designado a ele escrever o primeiro arco da fase pós pacto, depois alguns outros arcos até que ultimamente apenas ele escreve…

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Na primeira história vemos a continuação da caçada do trio Homem-Aranha, Viúva Negra e Silver Sable às bases de mísseis do Octopus ao redor do mundo. Vemos o cansaço psicológico dos personagens agravado depois da Shield aparecer para dar cobertura ao Rhino. Uma piadinha sobre “cueca por cima das calças” não esconde a decepção do Aranha em ser caçado mundialmente. A história a partir daqui se torna bem mais densa, com a opinião publica cada vez mais a favor do Otto e o Aranha recorrendo a tortura, o Homem-Areia é constantemente banhado com ácido para obterem a localização das bases. Octopus busca novos aliados e isso permite aos heróis descobrir detalhes de seus planos, pois ao entrar em contato com o Homem de Titânio, este rapidamente entra em contato com a Natasha (uma saída lógica e interessante, pois como a Viúva mesmo diz, ele é vilão apenas sob a perspectiva ocidental, na Rússia o Homem de Titânio é um herói patriota). Por sua vez o Aranha entra em contato com diversos heróis ao redor do mundo para auxiliá-lo.

Embora seja dramática que Peter diga que os Vingadores “foram capturados”, e os X-Men, Defensores e Quarteto Fantástico estejam “fora do mundo”, seria mais impactante se a afirmação fosse realmente uma afirmação verdadeira. Alguns Vingadores foram capturados, mas onde está o Luke Cage, Demolidor, Máquina de Guerra, Homem-Formiga, Capitão-Bretanha, Punho de Ferro, Garota-Esquilo e … bem … vocês me entenderam. Há um monte de Vingadores que nem são atualmente contabilizados. Além disso, todos nós sabemos que os X-Men e o Quarteto não estão fora do planeta …. Os X-Men estão lutando com os Vingadores e agora o Quarteto está de vadiagem pós história mega-épica. Eu sei que é muito dar uma de chato, mas ás vezes cansa pensar que um autor quer forçar uma continuidade própria sem respeitar o sentido do universo Marvel, é justo jogar algumas pedras a caminho, mas com moderação. Além disso, por que chamar esses heróis B ao invés das crianças da Academia Vingadores ou os outros heróis da Iniciativa? Quero dizer, eles não os chamaram na saga a Essência do Medo? Lição: não fazer o leitor pensar sobre os outros quadrinhos da editora, pois uma vez que puxar a corda, seu universo se desintegra.

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Essa quarta parte do arco termina com os três heróis chegando na ultima base do Octopus, localizada na Romênia, fronteira com Synkaria. Infelizmente eles chegam tarde de mais, o vilão revela sua verdadeira intenção e uma onda de calor faz todo um hemisfério entrar pegar fogo. A quinta parte da aventura começa imediatamente depois e, em meio ao desespero dos heróis, um enlouquecido Dr.Octopus os ataca. Felizmente logo descobrimos que tudo era apenas uma ilusão do Mystério e do camaleão que forjaram o evento para atrasar o trio. A virada de roteiro que foi bem emocionante é estragada com o convencimento extremamente fácil de Mystério que passa a ajudar os heróis depois de perceber que não poderia gastar o dinheiro se o mundo acabasse. Ao final vemos os quatro rumando para a base final do Octopus localizada na Guatemala, onde enfrentam os Vingadores, agora dominados com os pequenos octobôs que vimos algumas edições atrás.

O final da saga é corrido, logo o Homem-Aranha resolve o problema do controle da mente dos Vingadores, no entanto enquanto os menos poderosos caem desmaiados, Thor, Rulk e o Homem de Ferro tem que sair voando atrás de diversos mísseis que o vilão lançou no espaço. A partir daqui prefiro não revelar muito da história, como sempre tudo acaba bem, ou pelo menos sem que o mundo acabe em definitivo, pois acabamos por nos deparar com a morte de um importante e antigo personagem das Hqs do Aranha. Descobrimos a motivação do Rhino, embora isso apenas trás mais perguntas do motivo do seu desejo.

Na história seguinte, como já mencionado na introdução deste texto, temos uma edição de Avenging Spider-Man que funciona tanto como epilogo da saga, como um tributo ao personagem morto no final dela. Uma historinha envolvendo o Dr.Estranho e o Destino que, embora um tanto piegas, foi interessante.

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Nas entrelinhas, achei interessante a constante tentativa de reinserir a Mary Jane na vida de Peter, pelo menos uma vez por edição vemos o que ocorria em Nova York pelos olhares da Ruiva e também que ela ainda nutre sentimentos pelo Aracnídeo. O único porém é que a vemos comprando o bar do Abutre? É isso mesmo? Enfim… Outra parte interessante foi o envolvimento dos cientistas do laboratório Horizonte que, mesmo com o mundo todo contra o Aranha e com os dados enviados pelo Octavius indicarem que ele estava querendo salvar o mundo, todos apostaram no Escalador de Paredes.

Quanto à arte, posso dizer que no geral foram bons, Stefano Caselli assina as duas últimas partes e Matt Clark o epílogo, ambos, cada um ao seu modo, possuem o dinamismo necessário para as cenas de ação sem deixar de lado a expressão de cada personagem. Particularmente gostei mais dos desenhos do Clark, mas mais uma questão de gosto do que necessariamente qualidade. Infelizmente tivemos também o saudoso Humberto Ramos abrindo a revista com o seu traço conhecido e peculiar meio mangalizado e pasteurizado.

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Dando prosseguimento, Homem-Aranha 139 fecha com três partes da história do Lagarto que, embora bem interessante, acredito que ela poderia ter se encerrado em uma ou duas edições. Acompanhamos a depressão de Peter que deixou mais uma pessoa morrer, mesmo prometendo que ninguém mais morreria ao seu lado (MJ faz uma observação ótima quanto a isso). Enquanto isso o Homem-Aranha e os cientistas do Laboratório Horizonte, que agora se tornaram heróis mundiais, com auxilio do Morbius conseguem capturar e reverter o Lagarto à forma humana. Sim, apenas à forma humana, pois Slott não esconde dos leitores que não há nenhum traço da personalidade do Dr.Curt Connors a tensão está justamente ao saber que o resto dos personagens não faz idéia do que está ocorrendo e que estão sujeitos a um psicopata. O único resquício do doutor é  a lembrança do filho que sempre aparece quando ele se encontra com o cientista-prodígio Uatu.

Para se livrar do Aranha, o Lagarto começa a provocar a fome por sangue de Morbius por meio de pequenas sugestões e, depois de ficar sozinho no laboratório do vampiro, despeja varias bolsas de sangue na ventilação. Isso deixa Morbius descontrolado que morde uma das cientistas e foge, com Peter em seu encalço. A narrativa não se desenvolve muito, a partir disto vemos o Homem-Aranha lutando contra o vampiro na cidade enquanto o Lagarto tenta fazer uma formula que o destransforme.

Mantendo a característica de Slott com suas múltiplas narrativas paralelas, temos dois prólogos para historias futuras ocorrendo junto aos acontecimentos principais. Na cidade a Madame Teia tem uma visão de que algo muito ruim acontecerá com o Aranha em decorrência dos acontecimentos do Laboratório Horizonte, ela bem que tenta avisar, mas Peter só quer saber de se vingar do cientista que é mais vítima do que qualquer um na história. Enquanto que no laboratório, um dos cientistas assessores invade e rouba diversas informações sobre os bloqueadores de sentido aranha para Wilson Fisk.

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Os desenhos de Giuseppe Camuncoli são razoáveis, trazem ritmo à ação e captam com sensibilidade a aspereza e desespero da situação atual de Peter. As batalha no esgoto entre o Homem-Aranha e o Lagarto e nos telhados de Nova York contra Morbius funcionam igualmente bem. No entanto as expressões dos personagens são sofríveis, os olhos vidrados do pseudo Dr.Connors não trazem vitalidade nenhuma. Um olhar sem vida e forçado, deve ser por isso que a maioria dos personagens ou usa óculos, ou lente ou os olhos não possuem pupila.

Prometo que este é o último parágrafo. Não quis entrar em detalhes das histórias para o leitor não perder o prazer da surpresa, mas a sensação que a revista me deixa é que Dan Slott está cansado do personagem e preparando sua saída. A próxima edição terá o tamanho normal com apenas três edições de Amazing Spider-Man contando o final deste arco do Lagarto e a estréia de um ajudante para o Escalador de Paredes.

Sobre o Autor

Colecionador de quadrinhos desde A Morte do Super-Homem (antigamente, era assim que se escrevia). Já o Homem Aranha foi a fatídica saga do Clone que, podem me criticar, eu gostei, embora tenha acabado muito ruim e terem exterminado qualquer consequência. Historiador de formação que ainda sonha em ser arqueólogo.

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