Presto Gaudio On abril - 1 - 2014

Homem-Aranha Superior 3

No mês de fevereiro a revista mensal do aracnídeo trouxe três histórias que não possuem conexão direta entre si: Superior Spider-Man 5, Superior Spider-Man 6 AU e Avenging Spider-Man 17. Falar que elas não se conectem diretamente, não quer dizer que são histórias independentes e desconectadas da cronologia, pelo menos em dois casos não.

Na primeira parte vemos o encerramento dramático do segundo arco do Otto-Aranha. Vemos a caçada final ao Massacre, não é o professor Xavier misturado com o Magneto, é simplesmente alguém desprovido de poderes e sentimentos. A narrativa é construída de forma a deixar o leitor num crescente de tensão até o controverso desfecho… vou terminar a análise desta história no final da review pois vou comentar spoilers pesados. Se não quiser saber pode continuar a ler este texto e ignore os parágrafos finais.

A edição seguinte é uma história backup da saga Era de Ultron e se passa entre o primeiro e segundo número. Já nos deparamos com uma Nova York destruída e os heróis se reunindo para uma investida contra o Ultron. Dois planos são elaborados, um deles Otto precisaria entrar no Laboratório Horizonte para ativar um equipamento. No entanto, dentro do laboratório Otto resolve ativar um plano próprio e chama atenção de sentinelas de Ultron e, se em um primeiro momento parece que as coisas teriam um bom desfecho, logo percebemos que Ultron só estava brincando com um saco de carnes e tudo vem a baixo. O roteiro de Christos Gage é interessante, mas se você ainda não leu a mini-série ficará completamente perdido pois é uma história sem começo e nem fim, a não ser que goste de se divertir com o “Superior” mordendo a língua. A arte de Dexter Soy é bastante agradável pois passa a atmosfera de desesperança e destruição da história apocalíptica, no entanto acredito que um papel melhor contribuiria ainda mais para o estilo apresentado.

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Fechando a edição temos Avenging Spider-Man, lançada em 17 de abril de 2013, esta é uma história bem mais leve que as anteriores e acompanhamos Otto-Parker em uma missão para o Quarteto Fantástico substituto. Mulher Hulk, Medusa, Scot Lang e Senhorita Coisa formam o Quarteto substituto, enquanto o original está viajando de férias pelo fluxo temporal. A missão do Aranha: servir de babá da Fundação Futuro. A história é engraçada, pois Otto se identifica com um dos alunos que tem grande potencial para um gênio do crime, e é uma invenção dele que causa confusão com a Autoridade de Variância Temporal. Não me alongarei nessa história, mas a liberdade que o Aranha teve dentro do Edifício Baxter possibilitou ele recuperar um item colecionável que trará consequências futuras.

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——————————————————SPOILER——————————————————–

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Giuseppe Camuncoli consegue traduzir com sua arte a paixão que move o personagem desenvolvido por Dan Slott. A história começa com Massacre oferecendo seus serviços de marketing para um dos acionistas da franquia de lanchonetes Burger Town onde o vilão chacinou todos os clientes na edição passada. A proposta foi simples, o Massacre iria com a camisa do concorrente executar aleatoriamente várias pessoas em um centro de compras, a empresária aceitou sem precisar de muita coerção. Enquanto isso o Aranha convence o Uatu Jackson a entregar a tecnologia de reconhecimento facial que o jovem cientista estava desenvolvendo e instala o programa nos seus vigilantes robóticos. Tal resolução por si só é controversa, pois torna o Homem-Aranha com poderes de vigilância que beira o fascismo.

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Temos duas páginas com Otto-Peter encontrando com a monitora da aula da faculdade, esta parte serve para quebrar um pouco o clima pesado e lembrarmos que um dos pontos fracos de Otto é o estomago.

Em seguida o Aranha começa sua busca para capturar o Massacre. É interessante como Otto varia entre uma total apatia e racionalidade para ataques completamente passionais. Por conhecer o modus operandi do vilão, antes de enfrenta-lo procura por possíveis reféns que estariam escondidos em algum lugar distante do show principal. Assim que esses reféns foram salvos o Aracnídeo segue em direção à estação de trem onde o Massacre está ameaçando diversas pessoas, no processo vários guardas são atingidos, mesmo depois da chegada do herói. Otto admite que pessoas morram em fogo cruzado, mesmo que o Gasparzinho-Peter diga o contrário. No fim, Otto faz jus ao seu título de Doutor e cura a despersonalização a qual o vilão sofre que chora de medo (sim, eu sei que o Dr. é um título, não quer dizer que Otto seja médico). Como se isso não fosse suficiente, Otto em seu discurso de superioridade e com apoio dos reféns, puxa o gatilho e elimina o vilão. Ainda há um epílogo com a Srta. Pulman, empresária responsável pela rede de lanchonetes Burger Town que vimos no início da edição, sendo ameaçada por dezenas de aracnobôs e o próprio Aranha no vídeo falando que agora que ele vigia todos, cabe a ele também julgar.

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Foi uma edição polêmica desde seu lançamento nos EUA. O Homem-Aranha nunca matou ninguém deliberadamente, e mesmo que as mãos do Aranha estejam manchadas de sangue. O que dizer de Peter? Claro que ele se responsabiliza pelo ocorrido, mas até que ponto é possível culpar alguém que não tem controle do próprio corpo? Veremos as consequências no futuro.

Mas para além dos quadrinhos, a reação dos reféns que nada fizeram, até mesmo apoiaram o Aranha à puxar o gatilho diz muito sobre a sociedade atual. Parece que o medo da violência está cegando as pessoas para a realidade da desigualdade social em que vivemos. Muitos que criticam que Dan Slott está maculando o personagem apoiariam a ação em uma situação parecida. Vemos atualmente na mídia, e vibramos quando alguém faz “justiça”. Mas o que ocorre atualmente é um preocupante avanço do vigilantismo fascista praticado por civis ou até mesmo ações policiais irresponsáveis e tendenciosos que só expõem algumas das máculas de nossa sociedade como preconceitos raciais, sociais, sexuais, religiosos, etc.

Sobre o Autor

Colecionador de quadrinhos desde A Morte do Super-Homem (antigamente, era assim que se escrevia). Já o Homem Aranha foi a fatídica saga do Clone que, podem me criticar, eu gostei, embora tenha acabado muito ruim e terem exterminado qualquer consequência. Historiador de formação que ainda sonha em ser arqueólogo.

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