André Marques On janeiro - 19 - 2015

Pecados Pretéritos

Em 2004 o escritor de Amazing Spider-Man, J Michael Straczynski, escreveu um arco que nada tinha a ver com os plots que estava trabalhando. Um arco polêmico que envolve retcon. Um arco que muita gente gostaria de esquecer. Todos cometemos pecados. Mas será que temos coragem de enfrentar as consequências que eles podem acarretar? É com essa temática que Straczynski teve a ideia de Pecados Pretéritos, que conta com a arte do brasileiro Mike Deodato Jr.

Após voltar para casa com Mary Jane, que foi feliz em um teste para um papel no teatro, Peter recebe uma carta… e o remetente era Gwen Stacy, sua namorada morta há anos pelas ações de Norman Osborn, o Duende Verde. Na época ela estava em Londres, pouco depois de seu pai, Capitão Stacy, ser morto em um combate do Homem-Aranha e Dr.Octopus ao tentar salvar um garotinho. Toda a carta era Gwen tentando explicar o porquê de mandá-la e não voltar a Nova Iorque. Ela dizia que tinha algo muito importante pra dizer e que sentia muito. Mas a carta não estava completa. Peter conversa com Mary Jane e conta o que havia escrito lá. Pela madrugada, ela vai ao túmulo de Gwen e lá é confrontado por um casal misterioso (não Mysterio). Eles parecem saber muito sobre Peter. Ele sai do local e os dois afirmam que têm muitos motivos para matá-lo.

Amazing_Spider-Man_Vol_1_511_Textless

No dia seguinte, Peter recebe outra carta. Desta vez com fotos dos dois componentes do casal se passando por vizinhos com a tia May e a Mary Jane. Isso apenas para avisar ao Peter que eles podem matá-las quando quiserem. Peter decide levar a carta de Gwen a um detetive conhecido para ver se consegue visualizar o que há no verso, admitindo que Gwen esrevia as próximas folhas em cima do versos das anteriores. A seguir, ele recebe uma ligação de uma das figuras afirmando que estão com a tia May. Nós vemos que não é verdade, mas ele diz que o aranha só tem 10 minutos. Isso não passsava de uma provocação. Quando ele chega ao local indicado, ele vê uma bomba prestes a explodir e chega a ser atingido. O casal aparece novamente e o homem o ataca para matar. Mas a mulher impede dizendo que ainda não chegou o momento. Depois, o aranha encontra o detetive novamente e a carta havia sido parcialmente descoberta. Nela, podia-se ver que Gwen dizia que ficou grávida e teve gêmeos, Gabriel e Sarah.

Peter dixa a carta em casa e Mary Jane, mesmo tentando evitar, vê o que há escrito lá. O aranha vai a um laboratório para confirmar se os gêmeos são mesmo filhos de Gwen. Pouco antes de confirmar, a gêmea aparece. Ela diz que pode matá-lo agora para que sua família não morra também ou esperar para morrer depois e sua família morrer antes disso. Ao esquivar-se dos tiros, o aranha tira a máscara da moça e vê a confirmação: ela é a cara da Gwen. Um tiro de Gabriel, que estava fora do prédio, quase o atinge e ele sai do local. Ao voltar, pega a confirmação da análise. Eles são filhos de Gwen. Mas quem é o pai, já que não poderia ser ele? Mary Jane diz que tem a resposta.

background (1)

Ela conta que quando Harry Osborn estava mais uma vez doente devido ao uso de drogas (em Amazing Spider-Man 121, edição da morte de Gwen) Gwen teve uma discussão com Norman sobre os gêmeos e ela ouviu tudo. Gwen acaba por contar a ela todos os detalhes e implorou para não contar ao Peter. Ela mesma iria contar. Quando ela estava em Londres, acabou por ter um romance com Norman. E ele queria que os filhos fossem criados por ele, dizendo que só eles podem herdar o seu legado. Mas ela dizia que preferiria morrer a deixá-lo fazer isso. Peter conclui então que os gêmeos crescem mais rápido que o normal e que pensam que ele é o pai deles, que matou sua mãe e os abandonou.

Numa coletiva de imprensa, o aranha convida os dois a aparecerem no lugar onde ele viu a mãe deles pela última vez. Logo, na ponte do Brooklyn, ele os espera e, quando aparecem, começa a explicar tudo o que sabe. Gabriel não arecita em nada e o ataca. Peter, de propósito, não estava reagindo. Mas, sem escolha, ele teve de jogá-lo da ponte, sabendo que seria forte o suficiente para sobreviver. Porém, um dos tiros da polícia, que começaram pouco antes, atingiram Sarah, que cai da ponte do mesmo jeito que Gwen. Na melhor cena do arco, Peter não erra desta vez. Salva a moça e a leva a um hospital. Nos esgotos, eis que Gabriel concontra um esconderijo do Duende com trajes para ele e sua irmã.

Lá, havia uma gravação de Norman revelando tudo aos dois. Eles deviam herdar o legado do Duende e matar Peter Parker, o Homem-Aranha. No hospital, Mary Jane encontra Peter, que ainda estava de Homem-Aranha. O médico diz que conseguiram extrair a bala de Sarah, mas ela precisa de sangue e não encontram nenhum que seja compatível. O aranha se oferece para doar e ver se dá certo. No dia seguinte, Mary Jane diz que está tudo bem com Sarah, mas que ele deve repousar. Seu sentido de aranha tilinta e Gabriel, como Duende Cinza, o tira dali. Mas mal ele ataca o aranha e Sarah logo aparece e diz que ele a salvou e atira no seu jato. Gabriel cai em algum porto e Sarah vai embora. Logo, vemos que Gabriel é encontrado em uma praia, mas sem se lembrar de quem é.

detail (2)

Esse arco com certeza rende uma boa discussão. Eu só poderia fazer bons comentários e argumentar bem sobre ele em voz. Sou um dos poucos que gosta dele e tenho bons motivos, não só porque gosto da fase do Straczynski. Deixo claro aqui que reconheço dois grandes pontos nos quais o roteirista não foi feliz. Primeiro: o fato de ele ter mostrado que Gwen foi a Paris, quando na verdade foi a Londres. Segundo: ele mostra que essa ida foi pouco antes de Peter ter ido ao Canadá; sua volta, pouco antes do dia de sua morte. Mas na verdade sua viagem a Londres foi depois da morte do Capitão Stacy; sua volta, em Amazing Spider-Man 98, muito antes de sua morte. Mas não dá pra condenar o arco apenas por esses tipos de erro. O que o leitor pode fazer, com todo o direito, é não gostar do que o roteirista fez com a Gwen. Mas eu, além de gostar da narrativa, gostei do arco como um todo. Gosto de histórias nas quais os personagens se veem diante de seu passado novamente. E quando se trata do Homem-Aranha, melhor ainda. A cena da ponte é a que mais me agrada porque Peter se vê diante de um dos piores acontecimentos da sua vida novamente e tem a chance de consertar. A Sarah me agradou muito e acho que ela poderia ser bem usada, nas mãos certas, em histórias futuras. O Gabriel, por outro lado, além de ser um personagem chato, foi muito mal usado alguns anos depois. Lamentável.

Além disso, outros detalhes são felizes no arco, como a maneira de a Mary Jane tem de se dar com os problemas da vida heroica de Peter, coisa que o Straczynski fez muito bem durante o seu run (inclusive, foi ele quem juntou os dois novamente após a revelação patética de que a Mary Jane não havia morrido no acidente de avião). A única coisa da qual não gostei (e esse é o motivo pelo qual a maioria dos leitores não gosta) é o fato de a Gwen ter tido o ramance com o Norman. Se ela tivesse sido estuprada, por exemplo, seria mais aceitável. Mas não deixo de gostar do arco apenas por isso. Como disse, os leitores têm todo o direito de não gostar. Mas reclamar e falar mal só por causa disso é patético e faz parecer que se sentem chifrados também (#prontofalei). Seria legal se tivéssimos muitas leitoras no site para sabermos a opinião delas.

As histórias aqui resenhadas foram originalmente publicadas em Amazing Spider-Man 509 a 514. No Brasil, saíram em Homem-Aranha (1ª série – Panini) 41 a 46.

Recomendo também a leitura de Pacados Relembrados – A História de Sarah, que saiu pouco depois do término de Pecados Pretéritos, em Spectacular Spider-Man 23 a 26; no Brasil, em Homem-Aranha (1ª série – Panini) 51 e 52. Inclusive, a Homem-Aranha 52 foi a revista que me fez começar a ler a Marvel, quando a recebi em abril de 2006, no meu aniverssário de 11 anos. Foi um ano excelente.

Sobre o Autor

André Marques (antes autor do The Amazing Spider-Blog, theamazingspiderblogg.blogspot.com.br) tem 21 anos e é de Recife-PE. Costuma ler a Marvel desde 2006, tendo como personagens favoritos o Homem-Aranha, Mulher-Aranha (Jessica Drew) e Jessica Jones.

VÍDEOS

Navegador de Podcasts





PADRIM

Padrim3

Visite Nossa Loja Virtual

Loja Virtual

CANAIS

Feeds Twitter You Tube Instagram Facebook

Fan Page

9ª Arte