Recentemente voltei a comprar as mensais do Homem-Aranha, aproveitando o lançamento do novo título que iniciou após a fase Superior. Já sabia o que me esperava, Dan Slott e Humberto Ramos, e essa dupla “dinâmica” não foi a razão pela qual voltei a comprar as mensais. Na verdade compro apenas para poder acompanhar a minissérie Learning to Crawl (que é fantástica e preocupada com a cronologia) e também o título do Aranha 2099, do mestre Peter David.

Infelizmente, não é só de Learning to Crawl e 2099 que a mensal é constituída. O volume 3 de The Amazing Spider-man está lá. E é um desastre anunciado.

Só de passar pelas páginas, os rabiscos que Humberto Ramos chama de “traço” se fazem presentes de uma forma que é impossível ignorar pra analisar somente a história. História essa que representa na minha opinião a pior fase de Dan Slott desde que assumiu o título do Aranha, depois do desastroso arco “Um dia a mais” (que afastou milhares de fãs das histórias do Aracnídeo, colocando anos de histórias no lixo).

Os ''traços'' vergonhosos de Humberto Ramos em uma das edições do novo volume de "Amazing"

Os ”traços” vergonhosos de Humberto Ramos em uma das edições do novo volume de “Amazing”

Obviamente, o Aranha não vem nos proporcionando boas leituras desde o inicio do século, quando o volume 2 de Amazing Spider-man surgiu, trazendo Tia May de volta e dando início aos retcons absurdos da fase JMS (Pecados Pretéritos alterou toda a história da Gwen, e a saga de Morlun e O Outro mexeram de forma ridícula na própria origem do herói). Mesmo depois de todas essas fases questionáveis e que poucas pessoas realmente admiram, chegou Dan Slott. E o ponto mais baixo de sua fase no título acaba de sair no Brasil, em O Espetacular Homem-Aranha 4 da Panini, nas bancas nesse Novembro de 2015.

Nos primeiros três números do novo volume da Amazing, já podemos perceber o Peter Parker que Slott nos mostra desde sua chegada. Infantil, falastrão e imaturo. Não tem o mesmo tom sarcástico do Aranha de David Michelinie e Tom DeFalco, parece ser mais inexperiente que o Aranha de Stan Lee, quando ainda morava com a Tia May no Queens. A Gata Negra parece ter sido trocada por uma clone maligna. A ex-ladra tinha vivido anos ao lado do Homem-Aranha, como namorada e depois como amiga. Amadureceu com ele, confiava seus segredos a ele, o ajudava sempre que possível. Agora, com uma motivação ridícula e que ignora toda a ligação entre os personagens, Dan Slott apresenta a personagem ainda mais hipócrita e vingativa do que na sua SEGUNDA APARIÇÃO (Homem-Aranha 14 da Abril)… Uma regressão e tanto.

Reação do Aranha clássico ao ler sua mais nova "aventura", na mensal de número 4

Reação do Aranha clássico ao ler sua mais nova “aventura”, na mensal de número 4

A gota d’água é a criação da personagem Silk (Ou Teia de Seda, na questionável tradução da Panini). Não contente em alterar novamente a origem do herói com MAIS UM RETCON, o nosso querido roteirista ainda voltou com o assunto totêmico. Ezekiel reaparece e Morlun é novamente a bola da vez. Quem ia imaginar que iríamos ver essas bizarrices místicas nas histórias do Aranha de novo…?

Tudo isso está ali, de forma contundente, na quarta edição do novo título aracnídeo da Panini. A Pior história do Aranha que você vai ler esse ano. Disparado.

Nesta quarta edição temos todos estes problemas de forma potencializada. Os traços de Ramos estão piores que o habitual (que já é horrível). Peter ainda mais infantil, agindo como um adolescente de 16 anos, e não como um adulto de 29, que já passou por inúmeras experiências na vida.

Nessa eu fico com Wolverine. Ninguém aguenta esse Homem-Aranha  "adolescente mimado" do Slott.

Nessa eu fico com Wolverine. Ninguém aguenta esse Homem-Aranha “adolescente mimado” do Slott.

Nessa mesma edição, mesmo em uma interação pequena com outros heróis, percebemos que ele é tratado como um idiota, um novato. E é isso que esse Aranha passa para os demais heróis, não dá pra culpar eles. Wolverine, que antes respeitava os ideais do Aracnídeo (Ver Homem-Aranha 94 e 96, Editora Abril) o trata como um herói tão novato quanto a Jubileu. E o próprio Aranha não faz jus a tudo que passou. Fala demais e pouco faz. O Aranha sempre foi piadista, mas não assim. Sempre levou sua responsabilidade a sério, mas agora parece um palhaço que leva tudo na brincadeira.

Capa de uma das muitas edições em que o Homem-Aranha, ainda nos anos 70, age como um verdadeiro herói e é respeitado pelos outros como merecia.

Capa de uma das muitas edições em que o Homem-Aranha, ainda nos anos 70, age como um verdadeiro herói e é respeitado pelos outros como merecia.

Saindo da relação do Aranha com outros heróis e entrando nos novos métodos do personagem: Todo o rolo de Ezekiel e Teia de Seda nessa edição 4, começa com uma negligência do Aranha. Ele se recusa a escutar o que o velho do totem tem pra dizer e age da forma mais idiota possível. Exatamente.

Ao chegar no local em que Silk estava confinada, se depara com uma gravação de Ezekiel. Ele se recusa a escutar sem motivo convincente. O Aranha de verdade corria atrás das provas e mesmo sendo impulsivo, na maioria das vezes escutava o que uma pessoa pacífica tinha a dizer. Desta vez ele se recusa a ouvir uma simples gravação.

Peter de Slott demonstrando sua infantilidade.

Peter de Slott demonstrando sua infantilidade.

Todo a história da Silk acontece em poucas páginas, de forma corrida e sem aprofundamento. Mal conhecemos a personagem e pipocam inúmeras informações pouco convincentes e bem enfadonhas. Nada aproveitável. Não acontece praticamente nada da edição. De 0 a 10 merece um “1”, pelo papel ser bonito. E só.

Por sorte, temos Learning to Crawl, na edição, e acredite: O Peter de lá, com poucos dias de experiência, é menos crianção e imaturo, e mais heroico que o do Volume 3 da Amazing. Quase impossível de acreditar que Dan Slott é o argumentista dos dois títulos.

Slott atestando que não sabe o que escreve. Desde a primeira anual, com o sexteto sinistro, o Sentido de Aranha já levou o Aranha a encontrar diversas pessoas.

Slott atestando que não sabe o que escreve. Desde a primeira anual, com o sexteto sinistro, o Sentido de Aranha já levou o Aranha a encontrar diversas pessoas.

Termino essa matéria com um conselho: Não comprem essa edição. Se você coleciona, compre e leia apenas 2099 e Learning to Crawl. Se mesmo assim quiser ler a edição principal da revista, leia e tire suas conclusões, mas já adianto que, se você leu bastante coisa do personagem, ou é fã de sua personalidade original, tem muitas chances de acabar se decepcionando.

Desenho de 94, a adaptação mais fiel a personalidade do Peter Parker que a maioria de nós admirava.

Desenho de 94, a adaptação mais fiel a personalidade do Peter Parker que a maioria de nós admirava.

Sobre o Autor

Um pretenso colecionador de quadrinhos em geral, mas em especial do Homem-Aranha. Crítico ferrenho dos anos 2000 do personagem. Fanboy do Aracnídeo desde o desenho clássico de 1994, e em constante aprendizagem sobre o universo Marvel.

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