André Marques On julho - 18 - 2017

Homem-Aranha: De Volta ao Lar | Resenha

Depois de alguns dias da estreia de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, trago uma resenha e algumas impressões do primeiro filme do Homem-Aranha na Marvel Studios. Antes de seguir, deixar claro aqui que haverá SPOILERS.

Já escrevi sobre minhas opiniões a respeito da estreia do Homem-Aranha no MCU e de Capitão América: Guerra Civil, ainda meu filme favorito. O único coisa que não me agrada muito, por mais coerente que seja, é a maneira como resolveram desenvolver o aranha como adolescente. Tenho meus motivos pra isso, mas não é assunto para o artigo. Claro, os adolescentes em geral são imaturos, e essa é uma maneira de diferenciar ainda mais essa franquia das duas anteriores, enfatizando mais ainda a época do Homem-Aranha como adolescente e o Peter no ensino médio de um jeito carismático, cativando o público, principalmente os jovens. A ligação com o Homem de Ferro acredito que seja mais por motivos comerciais, já que ele é o personagem mais popular da Marvel Studios, e juntá-lo ao Homem-Aranha, o mais popular da Marvel em geral, com a Sony, é uma boa maneira de chamar atenção do público e cativá-lo para o longo prazo. Vamos ver como essa relação vai se desenvolver no futuro.

Esses fatores não me agradam muito, mas fico tranquilo e acho acabam sendo bons para o filme e a franquia, sendo uma boa estratégia de abordagem, desenvolvimento e de construções para o longo prazo.

Mas em geral o filme e o pouco que tenho visto para os planos futuros me agradaram bastante. Apesar da relativa imaturidade, o Peter demostra o senso de responsabilidade de uma ótima maneira nesse filme, mesmo sem mencionar a palavra ou a frase que todos conhecem. O tio Ben não é mencionado ainda, mas podemos ver referências sutis à sua morte. O senso de humor de Peter como civil e como Homem-Aranha também está ótimo e bem equilibrado. Já a tia May, apesar de não ter tido muito destaque, já demonstra a preocupação com o Peter, semelhante à que ela tinha nos quadrinhos, mas com sutis diferenças. Sua aparência mais jovem também rende cenas hilárias.

Vale mencionar também o outro traje do Peter, que lembra muito o primeiro uniforme do Ben Reilly.

Não é novidade para ninguém que o Ned Leeds aqui não tem nada a ver com a sua contra-parte nos quadrinhos, que veio a se tornar o Duende Macabro. Na verdade ele é uma clara referência ao Ganke, melhor amigo de Miles Morales, o Homem-Aranha do Ultiverso. Mesmo eu não gostando muito da decisão de usar o Ned como referência ao Ganke, esse fator também rendeu cenas engraçadas e dependendo de como o personagem for usado no futuro acho que pode render bastante.

A mudança de etnia do Flash Thompson foi desnecessária na minha opinião, mas não atrapalha em nada. Aqui, Thompson não parece (pelo menos até agora) ser muito ligado aos esportes. Ele é esforçado também nos estudos, mas não deixa de ser um besta que não para de encher o saco. Acho que só poderiam ter mostrado sua admiração pelo Homem-Aranha, sem saber que ele é o Peter. Mesmo assim, o personagem pode ser bem trabalhado no futuro.

Michele Jones (MJ) foi uma das maiores polêmicas do filme. No podcast do Marvel 616 detalhei as semelhanças que ela tem com a Mary Jane, argumentando que ela parecia gostar o Peter e também parecia saber que ele é o Homem-Aranha. Além disso, seu apego aos livros, isolamento, a maneira como ela tira onda com as pessoas, principalmente o Peter e o Ned, podem ser devido ao peso do que acontece na família. Nos quadrinhos Mary Jane tinha um pai violento, e quando alguém a via sofrendo devido a isso ela disfarçava com o seu jeito alegre. E ela fazia isso com todos os outros pesos que tinha: a morte da mãe, a irmã tendo de cuidar sozinha do filho dela, e o fato de ela saber que Peter era o Homem-Aranha e por isso não ter coragem de ficar com ele. Na cena da detenção Michele estava lá mesmo não estando de castigo. Provavelmente para não precisar ir pra casa. E quando o supervisor questiona isso ela mostra o desenho que fez dele, tirando onda como sujeito. Mesmo assim, não dá pra saber se é isso mesmo o que ocorre com ela. Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, já disse que ela não é a Mary Jane. Teremos de ver então do que se trata realmente essa Michele, que não tem nada a ver com a Michele Gonzales, da fase pós Um Dia a Mais.

Cindy Moon não tem destaque, mas acredito que no futuro podem querer revelá-la como Silk, já que também já citaram indiretamente o Miles, e talvez queiram trazer mais aranhas por aí. Além disso, na cena do monumento de Washington pareceu que ela estava querendo fazer alguma coisa,mas não sabia como. Ou talvez por alguma razão ela não queria usar os poderes. Veremos que futuro ela terá.

Betty Brant também não teve desenvolvimento, mas apareceu mais. O que se destaca nela são sua clara semelhança à Gwen Stacy e as diferenças em relação à sua contra-parte dos quadrinhos, nos quais ela não estudou com o Peter e até era mais velha. Aqui ela tem interesse em jornalismo e é repórter do jornal televisivo da escola, o que acaba sendo um paralelo à sua versão Ultimate, que era repórter no Clarim Diário, em vez de secretária, como a versão 616. Como o leitor deve saber ela foi a primeira namorada do Peter nos quadrinhos. Mas não dá pra saber se vão querer trabalhar isso nesses filmes. Ela poderia também ser o par romântico do Ned, já que eles vieram a se casar no universo 616. E no Ultimate o Ganke fica com a Gwen, podendo também fazer um certo paralelo, já que cada um no filme se parece com essas contra-partes nos quadrinhos. Mas não sei se a Marvel Studios quer seguir isso.

O Abutre foi uma das melhores coisas do filme. Não só uma boa adaptação dos quadrinhos, mas também um bom vilão da Marvel Studios. Sua motivação aqui é bem restrita, mas acaba sendo bastante humana. Muita gente, de diversas formas, decide recorrer à práticas criminosas, ilegais ou não, para atingir o que querem. No caso de  Adrian Toomes aqui, ele apenas queria dar um bom sustento à sua família e nada mais, nada de ambicioso. Uma motivação simples, mas suficiente para ele recorrer a atividades criminosas. A importância e o valor que ele dá à sua família é bem clara do começo ao fim. Principalmente na cena do carro, onde ele deduz que Peter é o aranha. E o plot twist de ele ser o pai da Liz foi muito bem pensado e rendeu não só a ótima cena do carro, como também uma boa adaptação tanto para o Adrian quanto para a Liz, da qual falo abaixo.

Um ponto interessante da adaptação do Abutre faz parte do que o fez começar suas atividades criminosas. Sua primeira aparição nos quadrinhos já é em Amazing Spider-Man #2, mas sua motivação para o crime só é contada na edição 241, de Roger Stern. Nela vemos que ele começou o crime depois de ter descoberto que seu parceiro na empresa onde trabalhava estava escondendo parte dos lucros. Ele o confronta e descobre que estava com sua força aprimorada devido à exposição ao campo eletromagnético do equipamento que ele estava construindo. E então ele passa a utilizar esse equipamento para simular voo e começar sua vida de crimes como o Abutre. É uma motivação semelhante ao que vemos no filme, já que ele decide começar as atividades criminosas depois de não poder mais trabalhar com a limpeza dos danos provocados pela batalha de NY.

E o valor que ele dá à família é bem condizente com sua contra-parte nos quadrinhos, como pudemos ver em Spectacular Spider-Man (1976) #45, com a morte de seu sobrinho Malachai; e em Marvel Knights: Spider-Man (2004) #4, com a história de seu neto, que tinha leucemia.

A Liz Allan é muito diferente visualmente em relação aos quadrinhos, mas lembra muito a versão da animação de 2008, Espetacular Homem-Aranha. O plot Twist citado acima rendeu também uma boa adaptação para a Liz, dando um motivo para ela ir embora e gerando uma cena semelhante à sua despedida do Peter em Amazing Spider-Man #28, quando ela vai embora devido ao seu irmão, que era o Magma, o qual Peter havia detido nessa edição. E ela confessa que gostava dele, mas achava que ele gostava de outras meninas. Não as mesmas palavras, mas a cena de despedida do filme ficou muito parecida, devido à motivação da mesma natureza, já que o pai dela era o Abutre. A atriz Laura Harrier disse que leu bastantes revistas da fase do Ditko, e essa provavelmente foi uma delas.

Veremos se a personagem ainda terá um futuro no MCU.

Ao contrário do que muitos pensavam o Homem de Ferro não é um destaque no filme. Ele aparece apenas em momentos-chave. E o único acontecimento realmente relacionado ao desenvolvimento do personagem é a volta da Pepper Potts. Destaca-se também o Happy Hogan, que acabou rendendo diversas cenas hilárias.

E a cena final, onde o Tony mostra o novo traje do Homem-Aranha (provavelmente o que ele usará em Vingadores: Guerra Infinita) e onde o Peter recusa o convite dele, também foi excelente e mostrou um pouco de maturidade do personagem.

Vale lembrar que usaram o garotinho que aparece em Homem de Ferro 2 pra dizer que era o Peter.

Uma outra surpresa no filme foi o personagem de Donald Glover, que é o Aaron Davis, o Gatuno do universo Ultimate, e tio de Miles Morales. E ele menciona que tem um sobrinho na cena da imagem abaixo. Glover também foi uma das inspirações para a criação do Miles Morales nos quadrinhos e dublou o personagem em animações.

Phineas Mason, o Consertador, também aparece no filme, com a mesma função que tem nos quadrinhos. E como ele foi um dos capangas do Toomes que não foi preso, talvez possamos vê-lo como um fornecedor de armas para outros vilões no futuro. Vale notar que o Consertador apareceu pela primeira vez em Amazing Spider-Man #2, assim como o Abutre, apesar de não terem ligação.


E temos dois Shockers no filme. O primeiro, que foi acidentalmente morto pelo Toomes, era o Jackson Brice, que nos quadrinhos é o Montana, um dos Executores. Porém, a referência mesmo vem com o fato de que na animação Espetacular Homem-Aranha ele foi o Shocker.

E o segundo Shocker é que foi mesmo o Herman Schultz. Não pudemos ver muito dele, já que ele estava ali apenas como mais um braço do Toomes. Mas nada impede que ele volte em futuros filmes.

É importante mencionar também a cena dos escombros e sua clara referência a Amazing Spider-Man 33, que encerrou o primeiro arco que a revista teve (entre as edições 31-33) e que foi marcante não só pelo fato de ser um arco (algo nada comum na época), mas também pela cena impactante que é marcada também pela página inteira, o que também não era comum no meio das edições. O arco não tinha a ver com o Abutre (o vilão era o Planejador Mestre, que tinha se revelado como o doutor Octopus), mas foi uma ótima decisão pois é um dos momentos mais marcantes do personagem e que só tinha sido adaptado para outras mídias na animação Espetacular Homem-Aranha, nunca em filmes.

Quanto à venda da torre dos Vingadores, há uma teoria de que quem a comprou foi o Norman Osborn e que lá será a Oscorp ou qualquer outra coisa ligada a ele. Faz sentido, considerando também que o Kevin Feige já afirmou que a sequência do Homem-Aranha será logo depois de Vingadores 4 e que a partir daí o aranha terá mais destaque. Seria de se esperar que o Osborn fosse então o grande vilão da vez. Mais ainda: isso pode ser uma semente, quem sabe, para uma adaptação de Reinado Sombrio e Vingadores Sombrios. Veremos se tudo isso se confirma.

A primeira cena pós-créditos foi marcada pelo Mac Gargan, o Escorpião nos quadrinhos, que pode ser um dos vilões da sequência. Ele também aparece na cena da balsa, onde foi preso pelo FBI. A cena também deixou a impressão de que estão construindo um contexto para que vejamos o Sexteto Sinistro em futuros filmes, algo que a Sony já quer fazer há tempos.

Já a segunda pós-créditos foi genial. A participação de Chris Evans como Capitão América ao longo do filme foi hilária.

Caso o leitor queria se aprofundar nos coadjuvantes e respectivas referências, veja este artigo do Marvel 616, que teve a consultoria do Wellington Macgaren.

Já que gostam de comparar, digo que ainda acho melhor os dois primeiros filmes do Raimi, embora eu tenha diversas críticas negativas ferrenhas e eles, inclusive à personalidade do Peter. Os motivos são vários, mas prefiro não elencá-los aqui agora. Homecoming fica então em 3º lugar para mim. Os filmes do Marc Webb são bons, mas carecem de coesão e de outros detalhes importantes. Já o Homem-Aranha 3, do Raimi, é tão ruim que preferiria nem ter de mencionar.

Se não fossem os incômodos citados acima e outros detalhes, Homecoming sem dúvida já estaria em 1º lugar para mim. Porém, dependendo de como a Marvel Studios venha a desenvolvê-lo (e considerando o futuro destaque que o Homem-Aranha terá, segundo Feige) essa franquia tem todo o potencial para ser a melhor. Se aos poucos eles passarem a amadurecer o Peter e dar esse destaque de uma forma mais séria, devo passar a gostar ainda mais dessa franquia. Melhor ainda se as teorias em ralação ao Norman vierem a ser confirmadas. E como já gosto muito da Marvel Studios, tudo isso seria excelente. E seria muito coerente com o estilo da Marvel Studios, que planeja muito bem ao longo prazo e constrói o contexto para o que ela quer fazer no futuro. Um suposto processo de amadurecimento do Peter seria esse contexto, que iria chamar a atenção do público geral, construindo um certo vínculo, pois as pessoas iriam vendo e sentindo aos poucos esse processo. Mais ainda: sendo o Homem de Ferro, um grande ícone da Marvel Studios, parte importante nesse processo essa construção se torna ainda mais impactante.

Homecoming é, portanto, um excelente filme e com muito potencial para o futuro. E nas mãos da Marvel Studios, alta probabilidade de esse potencial ser alcançado ou até superado. Por enquanto estou muito satisfeito.

E pra encerrar, tenho de dar crédito à música que fizeram, adaptada da clássica animação dos anos 1960, especialmente para o logo da Marvel Studios nesse filme:

Você pode conferir também o Inominata 616 no qual eu, Macgaren, Coveiro e Paulo Artur falamos sobre esse primeiro filme do Homem-Aranha na Marvel Studios.

Sobre o Autor

André Marques (antes autor do The Amazing Spider-Blog, theamazingspiderblogg.blogspot.com.br) tem 21 anos e é de Recife-PE. Costuma ler a Marvel desde 2006, tendo como personagens favoritos o Homem-Aranha, Mulher-Aranha (Jessica Drew) e Jessica Jones.

VÍDEOS

Navegador de Podcasts





PADRIM

Padrim3

Visite Nossa Loja Virtual

Loja Virtual

CANAIS

Feeds Twitter You Tube Instagram Facebook

Fan Page

9ª Arte