Erick Vinícius On agosto - 25 - 2017

Thwipverso – Capítulo 3 – AMIGOS E INIMIGOS

Já faz um ano e meio que publiquei o capítulo 2? Nossa, ninguém deve nem lembrar mais do Thwipverso então leiam a parte 1 e parte 2 antes desse post.

Ninguém pediu mas está aí a continuação dessa aventura descabeceada!

A residência do Doutor Estranho era um local um pouco peculiar. Pela disposição dos objetos decorativos do lugar e a quantidade de badulaques, Stephen Strange certamente estaria sendo foco de um programa de televisão sobre acumuladores caso residisse em um universo diferente. Erick e Monio caminhavam rumo ao objetivo traçado por seu mestre, com os braços dispostos estranhamente esticados para baixo em ambos lados do corpo. A fraca luz da lua esgueirava-se pela janela, lançando uma iluminação macabra sobre os homens hipnotizados que seguiam escada acima, adentrando no local sagrado de Estranho.

_ Agora, vão, meus inconscientes escravos! – os comandos mentais de Xanadu direcionava os seus servos, guiando-os pelos escuros corredores enquanto via, através dos olhos deles, o caminho. – Peguem o cetro! Nada poderá me deter após completar meu objetivo! – Obedientes ao seu mestre, Erick e Monio finalmente chegaram em seu objetivo mas não contavam com a presença de Stephen Strange!

Reagindo à invasão dos dois estranhos homens o Doutor Estranho prepara seus brilhantes feitiços mas é logo surpreendido por um chute conjunto, no melhor estilo Super Campeões, e cai desmaiado com as mãos ainda faiscando. Monio avança em direção à tão sonhada segunda metade do cetro, a pega e inicia o caminho inverso para o esconderijo de Xanadu, sem reações aos “sims” e “finalmentes” telepáticos que seu mestre tanto grita.

Dante e Presto se aproximaram lentamente do corpo imóvel de Macgaren, estirado de barriga para baixo no chão. À medida em que seus passos cautelosos avançavam, sem saber se o amigo ainda estaria sobre controle de Xanadu, começaram a notar movimentos lentos e um leve murmúrio. Macgaren, ferido, finalmente conseguiu se colocar sobre seus joelhos e o murmúrio virou uma voz audível:

_ Parece que algo não “mim” caiu bem…

Os dois jovens ficaram finalmente aliviados pois o sempre maravilhoso humor de Macgaren havia retornado, o que significava que o controle do mago tinha sido quebrado. Apesar de já estarem começando a se acostumar com o estranho ambiente tudo ainda era muito novo e, na maior parte do tempo, assemelhava-se à um sonho. Um sonho que poderia facilmente brincar com a sanidade mental de quem estava vivenciando-o. Todo o ambiente era familiar pois fora visto diversas vezes enquanto liam seus quadrinhos favoritos entretanto, estar ali em primeira pessoa num universo fantástico, era surreal e incredulamente palpável. – P-precisamos nos lembrar o q-que acontece na Amazing A-Annual dois para resgatar o E-Erick e o M-Monio – destacou Dante, voltando o pensamento para a situação em que se encontravam. – A-aquela d-dica do Bob n-não ajudou em n-nada.
– Se me lembro bem o Xanadu enviava o Brutas e o Montes para a mansão do Doutor Estranho, eles lutavam brevemente com o Mago Supremo de Araque e roubavam a metade que faltava do Cetro de Watoomb, artefato que o vilão tanto quer para dominar o mundo e, enfim, o de sempre – relembrou magistralmente Macgaren – Porém o Aranha interceptava os brutamontes assim que eles saem da mansão, por que estava passando por ali. Novo Horizonte, como sabem. – concluiu Macgaren, sendo interrompido por Presto – Erick e Monio podem ter problemas com o… Ei! Alguém acaba de enfiar a mão no meu bolso de trás?!
Os três rapidamente se voltaram para a direção que Presto indicara e levaram um susto. Um meliante acabara de tentar, marotamente, roubar a carteira do bolso de trás da calça de Presto, falhando ao descobrir que não havia nada lá. Mas a surpresa não era devido apenas ao medo de um possível ladrão e sim por causa de quem era o delinquente. Estava lá, em pé na frente deles em posição altiva, olhos brancos ameaçadores, teias por todo o corpo distribuídas pela parte vermelha de um collant complementado com partes azuladas. – Me passem a grana! – A ameaça mascarada, o escalador de paredes, o Homem-Aranha estava ali, encarando o três. E, pela primeira vez, um medo real, um temor pelas próprias vidas, percorreu os corpos do indefeso trio.

Monio chegou sem muitas dificuldades no esconderijo de Xanadu. Caminhando de forma lenta, com olhos sem vida direcionando seu destino, chegara até o cômodo em que seu mestre se encontrava. – A outra metade do Cetro de Watoomb! Finalmente! – Xanadu estava eufórico. Em uma televisão monocromática, instalada acima de um criado incrustado com diversas pedras semipreciosas, um clipe musical antigo, com diversos dançarinos num local que parecia uma cidade mágica, tocava alto. “The dream that came through a million years, that lived on through all the tears. It came to Xanadu. Xanaduuuu…
O aspirante a todo-poderoso estava tão feliz com sua conquista que demorou alguns minutos para notar que apenas um servo havia voltado. Ele reduziu o volume da televisão, tomando cuidado para não eliminar totalmente o som. – Onde está o outro? – Ele tentava, em vão, retomar o elo telepático com Erick mas nada acontecia. Ele perdera o controle. – Quem… q-quem… q-q-queeem…? – foi o que Monio conseguiu responder, sendo ignorado por seu mestre, que desistira da resposta assim que realizou a pergunta, perdido em seus pensamentos. – Não importa mais. Essa é a maior fonte de poder místico já possuída por um homem… e é meu… meu!!! – A figura não saltou de alegria batendo os calcanhares pois a última fez que havia feito isso tinha se enroscado na capa e caído. Os ossos dos quadris ainda estavam doloridos. – Com esse cetro posso abrir portões selados entre dimensões, passagens para outros mundos! Posso ver qualquer lugar… qualquer objeto… qualquer pessoa que eu pensar – Ele continuava seu monólogo explicativo, como se alguém realmente estivesse ouvindo além dos alegres dançarinos de patins correndo pela televisão. Ele apontou o cetro para a TV, fazendo a imagem magicamente mudar para o Sanctum Sanctorum. A imagem mostrava o Doutor Estranho caído no chão, vítima do ataque que sofrera mais cedo. Xanadu se divertiu por alguns minutos atirando objetos no Estranho remotamente mas logo se cansou e resolveu testar seu novo brinquedo de outras maneiras. Ele começou a abrir vários portais para diversas dimensões ditkoniamente ilustradas. Agora era a hora que o Homem-Aranha chegaria para salvar o dia porém a história havia sido mudada. Nada poderia deter o grande Xanadu.

_ Ehrr, ou melhor… olá, amigos! Eu achei que algo estava caindo do seu bolso e tentei ajudar – Tentou disfarçar o Aranha, com uma voz adolescente levemente abafada pelo pano da máscara – Nunca se sabe o tipo de bandido que pode aparecer por essas bandas, não é mesmo? – Durante alguns segundos ninguém disse nada. Todos estavam chocados demais com a situação. Ali estava ele, o incrível, espetacular, espantoso Homem-Aranha!
– Olá… prazer em conhece-lo, Homem-Aranha – Presto foi quem conseguiu romper o silêncio – E, ehrr, obrigado por impedir que eu fosse roubado – completou, incrédulo quanto às intenções do herói. – R-realm-mente é u-um p-praz-zer c-conhec-cer v-você – Dante estava nervoso.
_ O que está fazendo aqui? Achei que numa hora dessas estaria nas redondezas do Sanctum Sanctorum ou coisa do tipo – interpelou Macgaren que, apesar de usar palavras para disfarçar a empolgação, não conseguiu disfarçar a emoção na voz.
_Como sabia disso? Realmente eu estava indo naquela direção porém vi algo cruzando o céu e, quando o som de um forte impacto ecoou, achei que deveria ser grana fác… digo, algum perigo. A propósito, vocês são heróis ou vilões?
_Pelo andar das coisas acho que heróis, já que… – Presto ainda falava quando um disparo de teia lacrou sua boca. O Aranha assumia posição de ataque, erguendo os braços e ligando desnecessariamente o sinal de seu cinto na direção dos três. Nesse momento todos sentiram algo formigando dentro do peito. Um forte ímpeto de partir um para cima do outro e do Aranha percorreu todas as veias de Dante, Presto e Macgaren. Seus olhos ficaram vermelhos de raiva e os músculos começaram a pulsar. Em um estalo, todos os quatro começaram a se bater, sem racionalizar sobre seus atos. Apenas a raiva e o desejo de destruir os outrora companheiros e herói da infância dominava a mente de cada um.
O Homem-Aranha parecia o menos experiente de todos, atirando teias sem pensar muito antes de agir. Ele ainda estava no início de carreira porém sua agilidade e sentido de Aranha lhe dava uma clara vantagem, pois era difícil de ser atingido e conseguia desferir alguns golpes no oponente que escolhia aleatoriamente na confusão. Dante havia ficado musculoso do nada. Seu rosto mudara para o de uma pessoa mais velha, barbuda, totalmente diferente do Dante normal. Se estivessem conseguindo raciocinar, Macgaren e Presto talvez teriam notado que o poder de Dante era mudar sua aparência conforme a personalidade que assumia, o que explicava seu suposto sumiço no bar. Nas poucas vezes que falava era algo como “você não escapará dessa vez” ou “teve sorte nesse golpe, cretino” e nenhuma gagueira era notada. Na verdade ele nem mesmo respondia ao nome de Dante, falando a todo momento que “O Senhor Dantas acabará com a escória”. Presto, por sua vez, estava com uma espada nas mãos e se movia como um experiente guerreiro. De alguma maneira ele havia encontrado uma tinta azul na confusão e pintara seu rosto com duas faixas. Esporadicamente ele gritava “Freedooooooom!!!” enquanto golpeava os outros. Macgaren agia de forma furtiva. Ele esperava o inimigo aproximar para atacar e, quando este chegava perto, fazia uma piada impensavelmente ruim, paralisando-o por uma fração de segundos que era o bastante para atingí-lo com um soco ou pontapé. A briga sem sentido continuava e todos já haviam se ferido um pouco quando as portas do Clarim Diário se abriram e uma figura conhecida saiu de lá aos berros.
_Que palhaçada é essa na porta do meu jornal?! Parem já com isso! – J. Jonah Jameson chegara, com todo seu carisma, para tentar colocar fim a confusão. As veias de seu pescoço pulsavam e tudo piorou quando ele viu que o Homem-Aranha estava no meio de tudo. – Tudo isso é culpa sua, seu salafrário! Ameaça! Calhorda! Vigilante! Criminoso! Calamidade pública! Delinquente…” – os xingamentos continuavam, demonstrando todo o extenso vocabulário do editor enquanto os quatro heróis retomaram a consciência. – Me desculpem, não sei o que deu em mim – disse o Aranha, enquanto recuava. Na verdade todos estavam sem entender muito bem toda aquela irracionalidade. – Acho que acabamos de vivenciar a regra 178, pessoal. – refletiu Presto, enquanto os outros concordaram ainda atônitos com a seriedade das regras que regiam aquele universo fictício. – P-poderíamos ter nos m-matado – comentou Dante, notando o breve momento de empolgação do Aranha ao ouvir essa palavra. Jameson continuava esbravejando.
_Pet.. digo, Aranha – começou a falar Macgaren – Sei que é difícil de acreditar mas viemos de outra realidade – Ele evitou comentar que eram de um local onde aquele universo não passava de uma história em quadrinhos, para não tornar a situação ainda mais difícil de acreditar do que já era – Fomos transportados para cá por um ser poderoso e, mesmo que não acredite em nós, peço que nos ajude pois nossos amigos são prisioneiros de um mago maligno. – Apesar da improbabilidade, aparentemente a regra 178 gerava um grau cego de confiança entre os participantes. Apenas isso explicava como os três estavam confiando que o Aranha poderia ajuda-los e a improvável resposta positiva do escalador de paredes. Eles precisavam agir rápido.

Erick se viu numa rua deserta, iluminada apenas pelos fracos raios de sol que já extinguiam-se quase que completamente. Como havia chegado lá era um mistério. A última coisa que se lembrava era de Xanadu falando algo e, após disso, nada mais exceto estar caminhando a esmo. Olhando ao redor, enquanto buscava no fundo da mente alguma lembrança ele reconheceu uma construção. Tratava-se da residência de uma agradável senhora, tia do super-herói titular daquela revista para a qual havia sido transportado. Ele precisava descobrir onde seus amigos estavam e dar um jeito de escapar daquele lugar. A cara de bobo perdido de Erick não passou despercebida para dois delinquentes que viravam a esquina. Aproximando-se do mineiro desmemoriado ambos sacaram suas facas – Passa a grana, tio! – exclamou o mais velho, de aproximadamente quinze anos. O outro, cerca de dois anos mais jovem, seguia as ações como se fosse um espelho. – Anda logo! – Finalmente consciente da situação, Erick se assustou, virando o rosto na direção dos dois. Foi quando, sem saber bem o que estava fazendo, palavras brotaram de seus lábios – Se, Mínimo-Acordado igual Verdadeiro, Não Mínimo-Acordado! – E o menor caiu no sono, instantaneamente. Assustado, sem saber o que acabara de acontecer, o garoto maior sacou uma arma que escondia atrás da calça. Erick tentava entender o que estava havendo, pois novamente havia gritado uma fórmula de Excel que mudava o valor de Acordado para Dormindo de um ser humano de verdade e, perdido nessa assustadora descoberta, não percebeu quando o garoto puxou o gatilho.

Eita, será que morri?

Comentem aí se quiserem a parte final da aventura. Tentarei demorar menos de 1 ano e meio na próxima vez.

Sobre o Autor

Erick Vinícius tem 29 anos, é cristão, formado em Engenharia Elétrica, projetista de esquemas elétricos de automóveis e, logicamente, maluco pelas histórias do Homem-Aranha!

  • Dante Mikael

    F-Fantástico!

    • Erick Vinicius

      Hahahahaha

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