Erick Vinícius On março - 5 - 2018

Títulos Aracnídeos | Amazing Fantasy

Se você é um aracnofã provavelmente sabe que o Homem-Aranha estreou na revista Amazing Fantasy #15, lançada no longínquo ano de 1962, mas uma dúvida que costuma percorrer a mente de várias pessoas é: E as quatorze edições anteriores? Vamos tentar falar um pouco sobre esse primeiro título do Aranha nessa matéria.

Primeira edição da Amazing Adventures

A revista Amazing Fantasy realmente começou na edição 15 mas isso se deve ao fato de uma mudança de nome, algo bem comum nos Estados Unidos e Brasil (Poderosos Vingadores, por exemplo, virou Novos Vingadores e depois só Vingadores, sem zerar a numeração). Em 1961 estreava a revista Amazing Adventures, em uma era pré super heróis da editora. Cada edição contava em média com quatro histórias, sendo as duas primeiras uma única de 13 páginas divididas em duas partes e as duas seguintes histórias rápidas de cinco páginas cada. A temática era monstros, ficção científica e situações bizarras, normalmente com um final surpreendente. Apesar de hoje parecer estranho, essas histórias faziam muito sucesso na época, lado a lado com quadrinhos de romance, moda e faroeste.

Love Romances, um dos títulos Marvel da época

Steve Ditko e Jack Kirby eram os responsáveis pela arte da maioria das edições, com roteiros de Stan Lee. Em conjunto com Tales to Astonish, Strange Tales, Journey Into Mystery e Tales of Suspense, Amazing Adventures era o local onde os que viriam a ser grandes nomes dos quadrinhos de heróis já brilhavam, com seu talento chamando a atenção de muitos. Foi nas páginas dela que surgiu o Doctor Droom, o primeiro super herói da Era de Prata da Marvel, alguns meses antes da estreia do Quarteto Fantástico em sua revista própria. Ele voltaria vários anos depois, já com a alcunha de Doutor Druida, mudança de nome para evitar a confusão de Doctor Doom com Droom. A terceira edição da Amazing Adventures também foi umas das primeiras publicações a conter a logo Marvel Comics em suas publicações, indicado por um MC numa caixinha. Inicialmente Timely Comics a editora mudou de nome para Atlas Comics nos anos 50, durante as baixas vendas do pós guerra e, em 1961, finalmente recebeu o nome Marvel Comics que todos conhecemos.

Amazing Adventures #3, com o MC da Marvel

Pouco depois, na edição 7, a revista foi revitalizada com o novo título Amazing Adult Fantasy. A ideia era refletir as temáticas mais sofisticadas que Stan Lee e cia queriam para o título (apesar que acredito que as baixas vendas também influenciaram). É importante abrir um parênteses para comentar que, por mais que olhando do ponto de vista de hoje as histórias pareçam simples demais, a maioria delas realmente inovavam e traziam temas que não eram muito comuns na época. Eram outros tempos então, para analisar, é fundamental transferir a mente para os anos 60. Voltando, o slogan dessa nova fase era “The magazine that respects your intelligence”, ou seja, “A revista que respeita a sua inteligência”. Isso deixa bem claro que a ideia era atingir um público mais maduro, desvinculando do lado infantil normalmente associado aos quadrinhos. A revista continuou com cinco histórias por edição, sendo quatro de cinco páginas e uma de três, seguindo com o estilo “Além da Imaginação”, o que resultava quase sempre em um destino trágico para o protagonista.

Revista renomeada para Amazing Adult Fantasy

Mesmo com as tentativas de se reerguer as vendas não estavam boas para as revistas Marvel de monstros. Os carros chefe da editora ainda eram as revistas de romance e moda, local onde o mestre John Romita brilhava e, com o cancelamento iminente, uma tacada final foi lançada. Com o retorno alto das vendas de Fantastic Four, uma resposta à Justice League lançada com sucesso pela Marvel, Stan Lee e Steve Ditko resolveram incluir uma história no que seria a edição final do título Amazing Adult Fantasy. Renomeando a revista para simplesmente Amazing Fantasy, uma edição nos padrões de Amazing Adventures foi lançada. Ela continha cinco histórias, sendo as primeiras duas uma única dividida ao meio. Uma das histórias falava sobre uma invasão de Marte, onde um marido estava preocupado com a sua mulher, revelando no final que na verdade ela era a marciana. A outra seguia um fugitivo, que se esconde num museu e é atraído por uma voz de um sarcófago que o engana e o manda como escravo para o Egito Antigo. A terceira era sobre um homem que tocava um sino, que é levando para o céu no final. E as duas restantes eram um tiro no escuro, um exercício de criatividade da dupla responsável. Assim nascia o Homem-Aranha, um personagem sem futuro definido que enlouqueceu positivamente os leitores com uma história extremamente inovadora. Tínhamos um herói franzino, da idade dos leitores, ganhando poderes de um bicho que normalmente todos desprezam. Seus problemas próximos da realidade, o bullying que sofria e o destino do seu tio causado pelo “herói” fez os olhos de todos brilhar e, claro, queriam mais daquilo. Uma curiosidade é que originalmente Jack Kirby seria responsável pelas histórias do Aranha mas, como Stan Lee queria um personagem mais franzino, a arte de Steve Ditko combinou mais, fazendo com que ele se tornasse responsável pela revista.

A revista mais cobiçada pelos fãs do Homem-Aranha

O resto, como dizem, é história. O retorno dos fãs foi grande o bastante para trazer o personagem de volta no ano seguinte em título próprio, um grande feito já que Homem de Ferro, Thor, Doutor Estranho e cia estrearam nas revistas que citei no início do texto, e elas mantiveram os nomes originais (por isso você já deve ter ouvido falar da estreia desses personagens ser numa revista de nome estranho e numeração alta). O título The Amazing Spider-Man (olha o Amazing aí) estreou de forma regular e dura até hoje, apesar de reboots frequentes na numeração. Falarei mais sobre ele em outro texto.

O Aranha ganha seu título próprio

Em 1995 uma minissérie em três partes foi lançada, contando uma história que se passa entre a Amazing Fantasy #15 e a Amazing Spider-Man #1. A bela sacada que tiveram foi não criar um título próprio e sim seguir a numeração original, o que rendeu os números 16 a 18 para a Amazing Fantasy. Essa minissérie foi batizada de Homem-Aranha: Ano Um, sendo publicada no Brasil pela editora Abril nos anos 90.

Amazing Fantasy #16-18

Em 2004 o volume 2 da Amazing Fantasy estreou, apresentando a personagem Araña, mas também falarei disso em outro momento.

Primeira proposta de capa da Amazing Fantasy #15, não utilizada

Em 2012 nós gravamos um Thwip View Classic comentando sobre a Amazing Fantasy #15. Clique na imagem abaixo para ir ao post do programa:

Espero que tenham gostado da matéria e, se tudo correr bem, tentarei escrever sobre outros títulos do Aranha por aqui. Até mais!

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Sobre o Autor

Erick Vinícius tem 29 anos, é cristão, formado em Engenharia Elétrica, projetista de esquemas elétricos de automóveis e, logicamente, maluco pelas histórias do Homem-Aranha!

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