Erick Vinícius On março - 21 - 2018

Títulos Aracnídeos | The Amazing Spider-Man – Volume 1

Com o tremendo sucesso da estreia do Homem-Aranha na revista Amazing Fantasy #15 a Marvel logo atendeu a demanda e, aproveitando do adjetivo, lançou em março de 1963 a revista The Amazing Spider-Man!

Primeira edição

Após Fantastic Four, The Amazing Spider-Man foi o segundo título da editora exclusivo para um herói. Ele trazia mensalmente histórias do jovem Peter Parker, com seus 15 anos, intercalando sua pacata vida na escola com aventuras espantosas quando vestia seu collant. Foi nas páginas de ASM que todos os principais coadjuvantes, aliados e vilões conhecidos até hoje deram as caras pela primeira vez, o que faz dela a espinha dorsal de todos os outros títulos que surgiram nos anos que se seguiram.

Os principais coadjuvantes dos anos 60 e 70

Nos anos 60 a Marvel não era uma empresa tão grande quanto sua principal concorrente, a DC. Algo que deixa isso evidente é o fato que as revistas Marvel eram impressas na gráfica da DC, o que limitava a quantidade de títulos mensais que a editora poderia publicar. Por esse motivo os diversos heróis da editora eram publicados em títulos já em andamento, como os citados no texto da Amazing Fantasy, dividindo suas páginas com outras histórias. Capitão América e Homem de Ferro, Namor e Hulk, Tocha Humana e Doutor Estranho são alguns exemplos das duplas que se encontrava nas revistas da época, cada um com 10 páginas para ter suas aventuras desenvolvidas. Analisando isso é possível notar o quanto o Homem-Aranha fazia sucesso na época, tendo um título próprio e edições inteiras para desenvolvimento das histórias, algo que certamente influenciou para que coadjuvantes e dramas pessoais pudessem ter sido trabalhados tão bem como os mestres Lee e Ditko os fizeram.

Principais títulos durante a primeira década

Os elementos apresentados inicialmente em Amazing Fantasy #15 foram aprimorados e expandidos. Nesse primeiro período conhecemos um pouco mais dos dilemas de Peter Parker, somos apresentados a sua doente tia May, descobrimos melhor quem são os amigos de escola, o amável J. Jonah Jameson e seus funcionários do Clarim passam a fazer parte do cotidiano da outrora monótona vida do Peter e um zoológico de vilões se abre. Vale ressaltar que o ponto alto desenvolvido pelos criadores do Aranha, que diferenciava o personagem de tantos outros, era justamente o “não-herói” que sua aparência transmitia. Ao contrário dos clássicos, até mesmo da Marvel, o Aranha possuía diversos problemas sociais, uma aparência de pouco impacto e pensamentos que se assemelhavam muito com os dos leitores, em sua maioria jovem. Esse foi um dos motivos de Steve Ditko, com seu traço franzino, ser o responsável por dar vida ao personagem.

Peter Parker, por Steve Ditko

A dupla Lee-Ditko permaneceu até a edição 38, período em que todos os pontos-chave citados acima foram estabelecidos e, por razões discutidas até hoje, Ditko saiu. O pensamento mais aceito quanto à sua saída considera que as diferenças criativas e de foco entre ambos foi o motivo, uma vez que Ditko era extremamente reservado, negando-se até mesmo a participar de eventos pois não queria reconhecimento, e Lee era o Astro, que queria sempre estar a frente de tudo, no Show Biz, divulgando cada vez mais a imagem de todos, além do trabalho. Em 1965, por exemplo, Stan Lee inventou de fazer uma gravação com as vozes de todos os artistas, batendo papo e apresentando a todos. Era o The Voices of Marvel, algo sem precedentes que aproximou os artistas dos fãs de uma forma nunca vista antes. Ditko pulou fora, não aparecendo na gravação, e foi levemente zoado por isso, com o pessoal dizendo que ele pulou pela janela quando viu o que estava acontecendo e Stan refletindo que “eu começou a suspeitar que ele realmente é o Homem-Aranha”. Independente de quem estava certo ou não é inegável que a dupla foi a responsável pelo alicerce firme que permitiu o personagem se manter de pé até hoje, apesar dos trancos e barrancos dos últimos anos.

Com a saída de Ditko, John Romita, o pai, assumia a arte da Amazing, tornando-se um dos mais clássicos desenhistas a trabalhar com o personagem. Logo nas primeiras edições temos a revelação da aparência de Mary Jane, algo que vinha sendo mantido em sigilo durante toda a fase Lee-Ditko, e a surpresa sobre a identidade do Duende Verde, Norman Osborn, o pai de um amigo de Peter. Essas duas revelações também são consideradas como dois motivos de discordância entre Lee e Ditko, uma vez que Ditko queria que MJ tivesse uma aparência comum e a identidade do Duende Verde não fosse um conhecido, e ambos eventos ocorrerem logo após a saída do desenhista reforça que isso realmente pode ser verdade. Stan Lee permaneceu no roteiro de Amazing Spider-Man até a edição 100, ininterruptamente, e abriu espaço para novos roteiristas assumirem o título. Apesar de ter iniciado todas as revistas do Universo Marvel, Stan permaneceu apenas por algumas dezenas de edições em cada uma, sendo ASM o título em que se manteve por mais tempo.

Gwen morre e, com ela, a inocência dos quadrinhos

Durante os anos 70 os três principais roteiristas foram Gerry Conway, Len Wein e Marv Wolfman com, respectivamente, 39, 30 e 23 edições escritas ininterruptamente. Durante a fase Conway tivemos a fatídica morte de Gwen Stacy, evento que mudaria não só os quadrinhos do Aranha mas a indústria como um todo, e também a Saga do Clone Original. A arte dessa década ficou nas mãos de John Romita, Gil Kane, Keith Pollard e Ross Andru, principalmente, sendo esse último o principal responsável pelas revistas da época. Após a morte da Gwen as revistas entraram em um marasmo onde nada muito diferente podia acontecer. Por esse motivo, apesar de serem fases divertidas, poucos grandes pontos de destaque podem ser levantados durante o restante dos anos 70.

A estreia do Uniforme Negro

Os anos 80 chegam e, com eles, o auge da criatividade nas histórias em quadrinhos. O público que começou a ler nos anos 60 e 70 havia crescido e, devido a esse público alvo, as histórias passaram a ser melhor trabalhadas, com assuntos mais sérios e relevantes. É difícil encontrar algum super-herói que teve uma fase ruim durante os anos 80 e, obviamente, a revista The Amazing Spider-Man faz parte dos que ficaram no topo. Os principais roteiristas dessa fase foram Denny O’Neil, Roger Stern, Tom DeFalco e David Michelinie. Os desenhistas que se destacaram foram Keith Pollard, John Romita Jr., nessa época emulando o traço do pai, Ron Frenz e dois que passariam a ditar a tendência para a década seguinte, Erik Larsen e Todd McFarlane. Com histórias focadas em conflitos entre gangues, heróis ultrapassando linhas, uma moral ligeiramente cinza nas atitudes de todos e um roteiro mais maduro para uma década menos inocente, os anos 80 foram os responsáveis por fisgar a maior parte dos leitores de quadrinhos.

Os controversos anos 90

Nos anos 90 a fase de David Michelinie ainda estava em andamento (foi uma das que mais durou, após Stan Lee) e foi seguida por J.M. DeMatteis e Tom DeFalco. Mark Bagley desenhou a maior parte das edições. Foi durante essa fase que os quadrinhos em geral passaram por uma crise, mais especificamente após a fase Michelinie, que acabou rendendo histórias mais fracas ou confusas, como a contraditória Saga do Clone. Fizemos matérias, vídeo e podcasts sobre toda a Saga do Clone, que sugiro conferir, por isso não entrarei em muitos detalhes. Como consequência desse período Norman Osborn retornou dos mortos e, arquitetando um plano para acabar com o Aranha, foi derrotado mais uma vez. Essa batalha “final”, iniciada na edição 441 e concluída nos outros títulos da época, foi tão relevante que representou uma mudança de fase para o Aranha, resultando no cancelamento da revista The Amazing Spider-Man no fim de 1998, iniciando seu segundo volume, que falaremos no futuro, em janeiro do ano seguinte.

Última edição do volume 1 de The Amazing Spider-Man

É importante comentar que, ao longo dessas quatro décadas, a revista contou com diversas edições anuais, normalmente com a equipe criativa da época, com histórias fechadas. A ideia desse texto foi resumir, sem muitos detalhes, o primeiro volume do principal título do Aranha. Por esse motivo não explorei todas as histórias e acontecimentos, passando apenas de forma geral, pois o texto ficaria muito maior do que ficou caso o fizesse. Ao longo dos nossos podcasts Thwip Views Classic comentamos diversas edições de The Amazing Spider-Man (até a publicação desse texto, todas até a edição 258).Espero que tenham gostado dessa segunda parte dos Títulos Aracnídeos e logo mais retornaremos. Até a próxima!

Confira outras matérias dos Títulos Aracnídeos clicando aqui.

Sobre o Autor

Erick Vinícius tem 29 anos, é cristão, formado em Engenharia Elétrica, projetista de esquemas elétricos de automóveis e, logicamente, maluco pelas histórias do Homem-Aranha!

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